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Certa vez, li um texto escrito por um mestre cujo nome não recordo. Mas imprimi as palavras dele e juro que não entendi nada. É muito confuso. Aqui está.
Parece padecer do mesmo mal da maioria dos ocidentais, acostumados a relacionar Tantra com sexo.
Há muitas coisas que você desconhece. Acredita talvez viver em um mundo evoluído, civilizado, cheio de tecnologia. Você nem sequer cruzou as fronteiras de sua galáxia e nem conhece outras civilizações infinitamente mais evoluídas do que a sua. Imagina-se certamente superior em relação a determinados povos e nações. Você nem se lembra de que outros viveram antes de você e fizeram coisas mais impressionantes do que as peripécias atuais. Você vê apenas o reflexo ou a sombra da verdade e vive tateando na escuridão. Não localiza a fonte de luz.
Reflexo é algo muito sutil. Ele pode esconder, ocultar, disfarçar aquilo que é eterno e verdadeiro tanto quanto o mortal e ilusório. Poucos conseguem vislumbrar o sol que a lua anuncia. Eu lhe digo porém: a porta do paraíso fica vizinha à porta do inferno. Não é muito difícil amar num instante e depois odiar no seguinte.
Tentei falar sobre monstros uma vez com um namorado. Acabei ressuscitando-os com ele. Discutíamos muito. Não chegamos a um entendimento e colocamos um fim numa boa relação de oito anos porque ciúmes, desconfiança, orgulho, presunção e imaturidade ceifaram o melhor de nós.
No fundo, somos tolos. No fundo, não sabemos amar. Nem sabemos o que é o amor.
Para mim, o Tantra surgiu como uma estrela numa noite escura e densa. Toquei então em mim quando antes jamais me percebera como um ser vivo, uma vida entre outras vidas, uma oportunidade de amor e paz para o universo inteiro.
Você pensa que se conhece e apenas se engana. Você se educa e usa uma máscara na frente dos outros. Você sorri quando deseja bater em alguém. Você inventa desculpas quando na verdade deveria confessar: eu não te amo, eu não gosto de você. Os que são verdadeiros devem viver odiados ou solitários. Ou talvez sejam ao mesmo tempo odiados e solitários. Os que se disfarçam são os “normais”, os “corretos”. É um mundo de mentiras e falsidade.
Onde houver moralidade haverá hipocrisia, alguém já disse isso. E é verdade. Dividir, classificar, especializar, tudo leva à sufocação do que é autêntico e real. Enquanto for assim, o mundo humano não conhecerá a paz.
Por esse motivo, digo: Homem e mulher devem ser um. Porque tudo é uma coisa só.
Tantra sem sexo... Que história é essa?
Não se perturbe porque muitos tomam das águas do sonho e juram beber o vinho da realidade. A maioria envenena-se e esquece até mesmo suas origens, o que são.
Tantra sem sexo. Falarei agora sobre isso. Esteja atento.
Não é só o Tantra que enxerga o ser humano como uno, indivisível. Muitas civilizações antigas acreditavam nisso. Entretanto, se você está fascinado pelo Tantra é porque nada foi e é mais original, único e preciso do que ele.
Um. Um com tudo e com todos. Indivisível com tudo e com todos. Você consegue perceber o alcance disso?
Já foram ditas há milhares de anos e hoje ainda permanecem as idéias de microcosmo e macrocosmo. Uma pedra, uma bactéria, um inseto, uma planta, um anfíbio, uma árvore, um réptil e um homem guardam entre si semelhanças. Mas é mais do que isso. Todos trazem o selo do um. Isso mostra que da unidade surge a diversidade. Não se deve condenar, nem blasfemar, nem praguejar. Tudo é possibilidade no universo. Um conceito é apenas um conceito. Ele não tem poder para impedir a vida e suas manifestações.
Complexo é o ser humano, sim. Contraditório, ele também o é. O Gênero está em tudo. Do superior ao inferior, nada escapa à Lei. A não ser que você atinja o inalcançável; ora, não fique me olhando assim, pois o que você procura já está com você. Descasque a cebola até o fim. E encontrará o vazio, ele é você.
O ser humano é um vazio onde vários mundos podem caber. Nesse minuto, você está alegre. No outro, pode estar nervoso. Mais tarde, triste. Eu insisto: você é um imenso vazio. Todas as emoções se movem e circulam por você. Nenhuma permanece. Você não pode aprisionar aquilo que você não é. Mas o ser é o ser e ele é a única felicidade possível. Apenas ele permanece. Tudo o mais foi chamado pelos mestres de ilusão.
Compreendeu agora?
O vinho pertence ao ser. A água pertence ao parecer. O ser é o que é. Tudo o que surge dele não o nega, mas não pode permanecer. Parecer é ter certa aparência, é assemelhar-se. A aparência não é o ser, é manifestação do ser. A água pode ser misturada a determinada substância e ficar com o gosto do vinho. Refletirá o vinho, parecerá com o vinho, mas não é o vinho.
Há muitas coisas que você desconhece. Acredita talvez viver em um mundo evoluído, civilizado, cheio de tecnologia. Você nem sequer cruzou as fronteiras de sua galáxia e nem conhece outras civilizações infinitamente mais evoluídas do que a sua. Imagina-se certamente superior em relação a determinados povos e nações. Você nem se lembra de que outros viveram antes de você e fizeram coisas mais impressionantes do que as peripécias atuais. Você vê apenas o reflexo ou a sombra da verdade e vive tateando na escuridão. Não localiza a fonte de luz.
Reflexo é algo muito sutil. Ele pode esconder, ocultar, disfarçar aquilo que é eterno e verdadeiro tanto quanto o mortal e ilusório. Poucos conseguem vislumbrar o sol que a lua anuncia. Eu lhe digo porém: a porta do paraíso fica vizinha à porta do inferno. Não é muito difícil amar num instante e depois odiar no seguinte.
Tentei falar sobre monstros uma vez com um namorado. Acabei ressuscitando-os com ele. Discutíamos muito. Não chegamos a um entendimento e colocamos um fim numa boa relação de oito anos porque ciúmes, desconfiança, orgulho, presunção e imaturidade ceifaram o melhor de nós.
No fundo, somos tolos. No fundo, não sabemos amar. Nem sabemos o que é o amor.
Para mim, o Tantra surgiu como uma estrela numa noite escura e densa. Toquei então em mim quando antes jamais me percebera como um ser vivo, uma vida entre outras vidas, uma oportunidade de amor e paz para o universo inteiro.
Você pensa que se conhece e apenas se engana. Você se educa e usa uma máscara na frente dos outros. Você sorri quando deseja bater em alguém. Você inventa desculpas quando na verdade deveria confessar: eu não te amo, eu não gosto de você. Os que são verdadeiros devem viver odiados ou solitários. Ou talvez sejam ao mesmo tempo odiados e solitários. Os que se disfarçam são os “normais”, os “corretos”. É um mundo de mentiras e falsidade.
Onde houver moralidade haverá hipocrisia, alguém já disse isso. E é verdade. Dividir, classificar, especializar, tudo leva à sufocação do que é autêntico e real. Enquanto for assim, o mundo humano não conhecerá a paz.
Por esse motivo, digo: Homem e mulher devem ser um. Porque tudo é uma coisa só.
Tantra sem sexo... Que história é essa?
Não se perturbe porque muitos tomam das águas do sonho e juram beber o vinho da realidade. A maioria envenena-se e esquece até mesmo suas origens, o que são.
Tantra sem sexo. Falarei agora sobre isso. Esteja atento.
Não é só o Tantra que enxerga o ser humano como uno, indivisível. Muitas civilizações antigas acreditavam nisso. Entretanto, se você está fascinado pelo Tantra é porque nada foi e é mais original, único e preciso do que ele.
Um. Um com tudo e com todos. Indivisível com tudo e com todos. Você consegue perceber o alcance disso?
Já foram ditas há milhares de anos e hoje ainda permanecem as idéias de microcosmo e macrocosmo. Uma pedra, uma bactéria, um inseto, uma planta, um anfíbio, uma árvore, um réptil e um homem guardam entre si semelhanças. Mas é mais do que isso. Todos trazem o selo do um. Isso mostra que da unidade surge a diversidade. Não se deve condenar, nem blasfemar, nem praguejar. Tudo é possibilidade no universo. Um conceito é apenas um conceito. Ele não tem poder para impedir a vida e suas manifestações.
Complexo é o ser humano, sim. Contraditório, ele também o é. O Gênero está em tudo. Do superior ao inferior, nada escapa à Lei. A não ser que você atinja o inalcançável; ora, não fique me olhando assim, pois o que você procura já está com você. Descasque a cebola até o fim. E encontrará o vazio, ele é você.
O ser humano é um vazio onde vários mundos podem caber. Nesse minuto, você está alegre. No outro, pode estar nervoso. Mais tarde, triste. Eu insisto: você é um imenso vazio. Todas as emoções se movem e circulam por você. Nenhuma permanece. Você não pode aprisionar aquilo que você não é. Mas o ser é o ser e ele é a única felicidade possível. Apenas ele permanece. Tudo o mais foi chamado pelos mestres de ilusão.
Compreendeu agora?
O vinho pertence ao ser. A água pertence ao parecer. O ser é o que é. Tudo o que surge dele não o nega, mas não pode permanecer. Parecer é ter certa aparência, é assemelhar-se. A aparência não é o ser, é manifestação do ser. A água pode ser misturada a determinada substância e ficar com o gosto do vinho. Refletirá o vinho, parecerá com o vinho, mas não é o vinho.
Todos os seus temores são criados por você. Sua ignorância possibilita isso. Todas as suas desgraças são causadas por você. Não culpe a ninguém, a nada, nem a Deus. Sua cegueira é o que torna ridículo quando brada e protesta contra a vida, contra Deus, contra tudo e todos. Não seja tolo!
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© Marcos Aurélio da Silva Costa 2008
Obra registrada e protegida.
Obra registrada e protegida.
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"Alguém me disse e a vida confirmou: a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional."
Marcos Kalzone





