29 novembro 2008

TRECHOS DO DISCÍPULO DE EROS

Olha em meus olhos e confessa os teus mais profundos desejos.
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Sim, eu acreditei nos teus olhos que surgiam entre os raios de sol naquela manhã de outubro.
Acreditei porque depois de todos os naufrágios no mar da minha existência, a única ilha intocada e rara eras tu. Ilha desconhecida, porém aprazível. Confesso que tive medo. Mas não havia como evitar o teu contato, a tua presença, seria loucura, insensatez. Mesmo assim, a dúvida e o medo apoderaram-se de mim, temendo mais amargura ao me entregar aos teus braços, Aline.
O tempo leva e traz escarcéis. Os ventos podem destruir castelos de areia na beira do mar. Trouxeste poesia em tuas ondas de carinho e ternura. Esqueci aos poucos as desilusões e mergulhei nesse oceano de sonhos que tua boca ardente me oferecia sem reservas nem pudor.
Eu poderia estar no paraíso e não dera conta, mas suas palavras soavam como doce melodia durante as horas do dia e percebi que o amor abrira imensas janelas para o sol distante que um dia desaparecera num adeus.
Fui apagando cada tristeza e sufocando todos os anseios em teu corpo e em tua alma.
(continua)
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© Marcos Aurélio da Silva Costa 2008
Obra registrada e protegida
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"Cura-se a ferida que uma espada faz; é incurável a que faz uma língua" Provérbio Árabe

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